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dezembro 17, 2014 Manifesto Nenhum Comentário

O planeta Terra é um sistema termodinamicamente perfeito. Como tal, obedece a suas leis e sofre constantes modificações físico-químicas que na sua complexidade sintetizam um desafio para a existência de todos os seres vivos. Assim também é o mundo empresarial: dinâmico, disputado e concorrido. Para sobreviver em um ambiente hostil é necessário adaptação. Estamos na década da inovação e é justamente isso o que confere adaptabilidade. Percebe-se que sem inovação as empresas (a semelhança dos organismos) estão fadadas a disputa com a concorrência, que vai gradualmente lhes submergindo com produtos e serviços de mais baixo custo e similar qualidade. Na mesmice de um continuum prolixo, empresas que não estão constantemente se reinventando navegam lentamente rumo a mais um naufrágio no oceano vermelho.

A boa notícia é que na Terra, o oceano ainda é azul. Flutuamos por vezes isolados em continentes de emaranhados cibernéticos sem desfrutar da bela brisa com vista para a beira do mar. Ser inovador é o desafio. E para entender os desafios e atingir posições privilegiadas é preciso observar as tendências. Em Wall Street – Money Never Sleeps (O dinheiro nunca dorme, título em português), o personagem de Michael Douglas, Gordon Gekko, parece “comprar” a ideia visionária de seu genro Jake após concertar o golpe de 100 milhões de dólares que deu em sua própria filha. Wouldn’t you say Green is the new bubble, Jake? Você não diria que o verde é a nova bolha? Se referindo aos Negócios Verdes, em geral mais conhecidos como Negócios Sustentáveis, que parecem de fato ser uma das grandes bolhas a estourar nos mercados.

Sem título

O que falar dos Negócios Sociais? Desde as primeiras iniciativas de responsabilidade social empresarial até o lançamento do ISO 26000 muita coisa aconteceu e podemos prever, baseado em boa estatística, que essa nova bolha pode facilmente ser incluída à lista de Gekko e Jake. Já existem pelo menos 100 fundos de social impact investing em todo mundo. Segundo a ISTOÉ Dinheiro (2011) eles já movimentam US$ 400 bilhões e podem chegar a US$ 1 trilhão em dez anos; 12 a 15% é a taxa de retorno médio dos investimentos. O Brasil ganhou o primeiro representante desses fundos em 2009, o Vox Capital, que já investe em mais de 12 empresas e com patrimônio já chegando à casa dos R$ 80 milhões.

“Segundo a ISTOÉ Dinheiro (2011) os fundos de investimentos de impacto social já movimentam US$ 400 bilhões e podem chegar a US$ 1 trilhão em dez anos; 12 a 15% é a taxa de retorno médio dos investimentos.”

 

Negócios Sociais ou Negócios de Impacto Social são aqueles direcionados para um público de clientes ou beneficiários posicionados na base da pirâmide social, em geral conhecidas como classes D e E aqui no Brasil. Após o boom das ONGs (organizações não-governamentais) nas décadas de 1990 e 2000, agora é a vez dos escritórios de projetos sociais. Já são muitos espalhados pelo país, e alguns deles passaram pelos campos de treinamento da Artemisia, por exemplo, que inclusive trás no seu manifesto a grande essência dos Negócios Sociais, os quais podem ser sintetizados nos seguintes dizeres: Vivemos um momento que pede outros arranjos e modelos para responder aos desafios complexos de uma população crescente e de uma sociedade que está ultrapassada, porque ainda não é capaz de oferecer iguais oportunidades para todos.

Apoiar projetos de organizações da sociedade civil e com isso gerar merchandising para grandes marcas está na essência da Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Mas é preciso ir além e não se limitar a apenas isso. É preciso transformar de fato todo o ambiente de organização interna das grandes empresas. Antes de investir na comunidade ao seu entorno, elas precisam responder ao seu microambiente organizacional interno. Criar um clima de sustentabilidade e com isso agregar bons colaboradores é essencial para acompanhar mercados em constante transformação. A tudo isso se dá o nome de Marketing Institucional, onde a reputação das companhias é o ativo mais importante para garantir a sua perpetuação. Esse é o primeiro nível, de indivíduo, na veia, na essência do que cada pessoa espera de sua própria contribuição existencial até as trocas de esforços por um modo de vida saudável e produtivo.

A nível de sociedade, o Brasil é um prato cheio para se trabalhar com comunidades. Tradicionais ou urbanas, sustentadas pelo extrativismo, pela roça e pela caça, ou simplesmente deixadas a mercê nas favelas ou mesmo na beira dos lixões, são incontáveis as problemáticas sociais no nosso país. Isso exige uma demanda, além de uma transformação política, tanto debatida na atualidade, mais uma vez é preciso mais. É preciso arregaçar as próprias mangas e colocar a mão na massa. As grandes corporações, que geram emprego, renda e oportunidades, também causam impacto social e ambiental. Elas também têm a responsabilidade de se tornarem mais coerentes, éticas e responsáveis. Uma pesquisa conduzida pela NIELSEN mostra que 74% dos brasileiros estão dispostos a comprar produtos de empresas com programas de sustentabilidade (Época Negócios, 2012). As empresas que não se inovarem para seguir essa nova tendência correrão mais risco de serem excluídas do mercado.

Com o tempo, as legislações devem acompanhar essa nova maneira de fazer negócios, que privilegia o meio ambiente ao privilegiar o ser humano, que é mais igualitária, é mais social sem ser demasiadamente socialista, radical ou conservadora. Promove o crescimento econômico ao promover a inclusão social, trás dignidade ao trazer trabalho, realiza sonhos ao despertar talentos. É dentro desse contexto que surge a CONQUISTA – um escritório de projetos socioambientais com competência de transformar para melhor a imagem das grandes instituições. É pensando nisso que abraço e apresento esse projeto que deve influenciar na maneira como as empresas se relacionam tanto com a sociedade como com o meio ambiente, gerando projetos de alto impacto com potencial de trazer benefícios para toda a sociedade, sempre em busca do bem estar com qualidade de vida. Para todos.

Written by Camilo Pedrollo
Biólogo e etnobotânico com experiência com ribeirinhos na Amazônia e agricultores familiares na Mata Atlântica. Acredita no potencial da biodiversidade brasileira para geração de renda e inclusão social.